quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vai para Ficar... ou Volta para Continuar?

Caboclo babaquara, tem a grande oportunidade da sua vida quando vê a possibilidade de ir com sua família - esposa e quatro filhos naquilo que a gente chama de "escadinha": 4, 6, 8 e 10 anos, 3 meninos e 1 menina - para a cidade grande, e não pensa duas vezes. Sai da sua vila, e abri picada, rompendo para a civilização.


Chegando, se assenta, consegue um barraco num bairro marginal até que bem arrumadinho. Tem uma filial pequena da grande rede de supermercados, tem UPA, tem igreja, ônibus que chega perto do serviço, e até asfalto e água limpa que chega toda noite pelo encanamento.

Deu sorte!

Trabalhando, nem mais nem menos do que antes em sua vida rural, começa a se dar ao luxo de algumas coisas.

Imagina só: Sortudo que é, agora dá para guardar a cerveja na geladeira e beber junto com a consorte, no maior chamego assistindo a novela... Novela?... Sim.. Deu para comprar uma televisão também. Agora o caboclo é corintiano. Dá tanta notícia do Corinthians no noticiário que não teve escapatória.

Mas de tanto assistir novela, te tanto assistir no noticiário, caboclo começa a perceber o quanto complicado é a vida na cidade.

Como é um homem que sempre teve a sua opinião firme e formada sobre muitas coisas, apesar de nunca ter passados os olhos sobre qualquer livro, percebe que a televisão é nada mais do que o espelho das pessoas que a assistem. Tudo que passa nela representa as pessoas que fazem dela o seu ponto referencial.

Já irritado com a freqüência que seus infantos têm passado em frente à televisão, quando pára para pensar um pouco e ligar um ponto ao outro, fica ainda mais invocado imaginando as coisas e principalmente descoisas que seus rebentos iriam aprender neste processo:

Na verdade verdadeira mesmo, caboclo nem estava muito preocupado com as referências de criminalidade, drogas, mentiras e falsidades, corrupção, ganância, falta de educação... Estas coisas o velho sabia que seus filhos não iriam se envolver. Ele, com pai, se garante!

Estava preocupado mesmo é só com uma coisa:

A falta de respeito aos valores básicos.

Imaginou seus filhos deixando de usar as "palavrinhas mágicas" Por favor, e Obrigado.

Ele sabia que se perdesse isso, se perdesse o básico, iria perder seus filhos. Diante disso companheiro, caboclo novamente não pensou duas vezes:

- Vou e voltar para minha terrinha. Pelo menos lá, educação é coisa que se aprende em casa, e não se perde na rua.

Juntou as coisas e foi embora...

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